Autor: Ronaldo Nunes
•4/30/2012 01:43:00 PM
Estava ali, indiferente a todos os outros naquele velório, parecia não se preocupar com todo aquele choro que mais parecia um coro. Lágrimas, soluços, desolação... A morte não era bem vinda, e quem estava partindo deixava um vazio imenso em cada coração. Mas continuará lá, sem chorar, sem ao menos se dispor a dar os pêsames aos familiares. Não abraçou uma pessoa sequer como sinal de afeto ou no mínimo respeito pela dor daqueles que cercavam o caixão... Uns falavam com ele; irredutível, não esboçava emoções. Outros ficavam apenas o encarando de longe sem entender de fato o porquê de ele estar assim naquele ambiente. 
O velório ia terminando, já era hora de levar o caixão. Todos que ali se encontravam como era de se esperar, estavam tomados pela emoção, menos ele, aquele homem, indiferente, singular... Parecia não estar ali, e realmente não estava. Aquele corpo vazio no caixão não era mais ele, lhe foi tirado o sopro da vida.




Ronaldo Nunes


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Autor: Ronaldo Nunes
•4/24/2012 03:49:00 PM



Hoje queria ser uma folha em branco
Pura, leve,
Sem pretensão e significados subjetivos
Gostaria de ser uma folha em branco
Sem texto e sem contexto
Com o pretexto de ser simplesmente nada
Desprendido de qualquer coisa mundana
Limpa, sem erros e sujeiras...
Quero ser folha, branca, sem que isso implique em preconceitos enrustidos.
Como não sou,
Desfaço-a.

Escrevo por inveja-la! Escrevo...
Para preencher o espaço, até repito
Por não ser isto, escrevo disto nisso
Enfim, queria ser folha branca
Mas se fosse me rabiscariam
Como não sou
Quem se importa com isso?




Ronaldo Nunes
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Autor: Ronaldo Nunes
•4/23/2012 05:08:00 PM

Entenda que...
... Eu nunca quis, sempre quero.





Ronaldo Nunes
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Autor: Ronaldo Nunes
•4/19/2012 03:28:00 PM

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Não tivera infância nem muito menos o carinho dos pais. Mesmo não sendo sozinho, era solitário. Sentia-se singular. Gostava do clima frio, não de pessoas; preferia as calorosas. Gostava de abraços, negava beijos. Amava sapatos, não sabia andar direito. Amante das cores tinha como prediletos o preto e o branco. Interessava-se por qualquer assunto; homem curioso, não despertava curiosidade em ninguém. Apaixonado, andava na beira da praia; fazia pegadas, não olhava para trás... Sentia medo; não em prosseguir, mas de querer voltar e não mais encontrar o caminho. Fazia poesias, e na areia desenhava corações. Frustrado por ser solitário – eu disse: Solitário, não sozinho -, queria compreender o porquê de ser tão amável sem provar do verdadeiro amor.
Homem mui sensível derramava suas lágrimas na medida em que as ondas apagavam os corações que desenhara. Insistente, desenhava outros um pouco mais distantes das águas que levavam aquilo que era tudo que tinha de mais precioso... O desejo de dar um sentido a esse amor.
Um dia cansado de tudo, entrou no mar e mergulhou fundo para tentar achar nem que fosse um de seus corações perdidos... Não se sabe ao certo, por quanto tempo ele ficou imerso naquelas águas. Exaurido, voltou à tona e percebeu que aquilo que o mar levava não eram os corações onde acreditara ter depositado todo seu amor, mas o que o mar levava então, era a frustração de um homem que nunca teve um nome a quem dedicar suas poesias ou que fosse um apelido para que escrevesse dentro de cada coração.


_______

Ronaldo Nunes

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Autor: Ronaldo Nunes
•4/14/2012 01:49:00 PM
                                                                   [Banksy]

Prenderam mais um bandido
Elegemos mais um ladrão
Aceitamos privilégios em nosso benefício
E somos contra corrupção
Financiamos a viagem dos sonhos
Em parcelas que se tornam pesadelos a prestação
O homem cria tecnologia inteligente
Para levar ao ser humano acomodação

Cultivo de ameba
Reprodução assistida em alta definição
O homem luta por paz 
Fazendo guerra
Não sabendo perdoar
Especializou-se em pedir perdão

Homem contradito
Foge da lógica
Buscando coisas exatas
Homem amante mui sensível
Ignora corpos pela calçada
Homem em busca de sorrisos
Especialista em magoar quem bem lhe trata

É... Homem deveras interessante...

Há de se concordar que somos um tanto fascinante
Queremos pessoas corretas
Mesmo sendo do erro bons amantes.



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Autor: Ronaldo Nunes
•4/10/2012 11:30:00 PM


Eu não te cantei, você não me cantou, nos (en)cantamos.








Ronaldo Nunes
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Autor: Ronaldo Nunes
•4/07/2012 04:41:00 PM


Nos feriados
O céu é mais azul
O sinal de trânsito é mais verde
O asfalto é mais asfalto
Assim deveria ser mais vezes

A Santa calmaria da cidade agora inabitada
O grito das cores
O silêncio da fumaça

Tudo é diferente
Nada é simplesmente nada
As coisas tem mais vida
As ruas parecem calçadas

Tranquilas, sem agitação
Por isto parecem estar dando risadas

O que há de mais belo
É aquilo que é notado
Todos os dias são dias
Mas o “tal” dia lindo, só existe mesmo
Quando esse dia é feriado.



Ronaldo Nunes
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Autor: Ronaldo Nunes
•4/05/2012 03:02:00 PM


I

Rasgar o verbo
Rasgar a pele
Verbalizar
Escrever o que sente
Sentir na pele
E nunca calar
Silenciar a dor
Acalmar o coração
Palavras guardadas só fazem bem
Se estiveres em meio à multidão

II

A dois
A sós
Depois
Em lençóis
Entre nós
Não vale a pena calar
Sussurre-me
Exprima
Não deixe o momento passar
E se não queres
Dizer
Fale-me então com o olhar
Só não permita que esse momento
Seja interrompido por um silêncio sem par.



Ronaldo Nunes
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