Autor: Ronaldo Nunes
•4/19/2012 03:28:00 PM

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Não tivera infância nem muito menos o carinho dos pais. Mesmo não sendo sozinho, era solitário. Sentia-se singular. Gostava do clima frio, não de pessoas; preferia as calorosas. Gostava de abraços, negava beijos. Amava sapatos, não sabia andar direito. Amante das cores tinha como prediletos o preto e o branco. Interessava-se por qualquer assunto; homem curioso, não despertava curiosidade em ninguém. Apaixonado, andava na beira da praia; fazia pegadas, não olhava para trás... Sentia medo; não em prosseguir, mas de querer voltar e não mais encontrar o caminho. Fazia poesias, e na areia desenhava corações. Frustrado por ser solitário – eu disse: Solitário, não sozinho -, queria compreender o porquê de ser tão amável sem provar do verdadeiro amor.
Homem mui sensível derramava suas lágrimas na medida em que as ondas apagavam os corações que desenhara. Insistente, desenhava outros um pouco mais distantes das águas que levavam aquilo que era tudo que tinha de mais precioso... O desejo de dar um sentido a esse amor.
Um dia cansado de tudo, entrou no mar e mergulhou fundo para tentar achar nem que fosse um de seus corações perdidos... Não se sabe ao certo, por quanto tempo ele ficou imerso naquelas águas. Exaurido, voltou à tona e percebeu que aquilo que o mar levava não eram os corações onde acreditara ter depositado todo seu amor, mas o que o mar levava então, era a frustração de um homem que nunca teve um nome a quem dedicar suas poesias ou que fosse um apelido para que escrevesse dentro de cada coração.


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Ronaldo Nunes

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1 comentários:

On 20 de abril de 2012 12:07 , Angelina Miranda disse...

vibrei. em ondas curtas e intensas.